Mundo
20/08/2012 -- 00h00

Muçulmanos celebram fim do Ramadã

Término do mês sagrado foi comemorado com muitas orações e uma grande festa

Anderson Coelho
O Ramadã é um dos eventos mais importantes para a comunidade islâmica, um período de sacrifício, controle do íntimo e purificação da alma
Londrina - Terminou com uma grande festa na manhã de ontem o Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. A cerimônia em Londrina foi realizada na Mesquita Rei Faiçal e começou com orações especiais. Depois as crianças fizeram uma apresentação e em seguida a comunidade confraternizou em volta de uma farta mesa de iguarias trazidas pelas famílias. Muitos vieram de outras cidades, para festejar com os parentes de Londrina.

Durante o Ramadã, cuja data varia ano a ano e é determinada pelo calendário lunar, os muçulmanos não comem nem bebem nada, inclusive água, nem praticam relações sexuais do nascer ao por do sol. De acordo com o sheik Yamani Abdul Nurmuhammad, o Ramadã é uma das festas mais importantes para a comunidade islâmica, um período de sacrifício, controle do íntimo e purificação da alma.

''Mostra que somos tementes a Deus. Temos que acabar com o mal e isso deve começar por nós próprios, por isso fazemos o jejum. O final do Ramadã é um momento de alegria, porque é o término do esforço que fazemos'', explica.

Durante a festa as pessoas também trocam presentes, mas não é permitido o consumo de bebida alcoólica e não há música ou dança. Segundo o sheik, é uma forma de as pessoas estarem cientes de que a alegria é uma dádiva de Deus. ''É um período de renovar as amizades, por isso também cada um contribui para a festa com o que tem em casa.''

Crianças

Anissa Mamad, esposa do sheik, explica que o período do Ramadã é igual para homens e mulheres, com a diferença que elas não precisam jejuar durante o período menstrual ou se estiverem grávidas. ''Quando não houver mais impedimento, devemos repor os dias que faltaram'', explica. Segundo ela, os doentes e as crianças também estão liberados, sendo que somente ao atingir a puberdade há a obrigação.

No entanto, algumas crianças já se espelham na fé dos pais e escolher fazer o jejum, mesmo que por um período menor. ''Duas das nossas filhas, de 10 e 12 anos, já começaram a jejuar. No ano passado elas fizeram apenas nos finais de semana, mas viram outras crianças fazendo todo o período e nesse ano se esforçaram para isso. Hoje elas estão comemorando porque conseguiram'', conta.

Anissa explica que embora fazer o jejum possa parecer muito difícil, principalmente em um mês tão seco como está sendo agosto, os muçulmanos sabem que é algo para agradar a Deus e fortalecer o espírito. ''Vem uma força de Deus, pensamos no próximo, nas pessoas que passam fome e sede todos os dias e então se torna mais fácil'', garante.

Sophia Issa, uma libanesa que está no Brasil há 52 anos conta que não sente diferença da festa da qual participava em sua terra natal e a realizada no Brasil. Moradora de Ibiporã (Norte), ela veio com marido, filho e neta participar do Ramadã e se preocupou em preparar um prato especial. ''É uma massa como de esfirra, que fritamos e colocamos uma calda de açúcar, pode colocar coco ralado também. No ano passado fiz outra coisa e todo mundo pediu esse, então hoje eu trouxe'', explica, rindo.

Érika Gonçalves
Reportagem Local
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