Cidades
20/07/2011 -- 00h00

Descoberta de sítio arqueológico em Cambé

Amostras de cerâmicas são os primeiros indícios da presença na região da Missão Jesuítica San Joseph, fundada em 1625

Materiais foram coletados e analisados por uma equipe da UEL e arqueólogos
Divulgação/Prefeitura de Cambé
Fragmentos chamam atenção pela forma de concepção
''Estamos entusiasmados com essa descoberta, pois temos um tesouro em nosso município'', afirma o diretor do Museu Histórico de Cambé (Norte), César Cortez, sobre a descoberta do Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Dalmácia (27 km de Centro da cidade), onde em 1625 foi fundada a Missão Jesuítica San Joseph.

A revelação foi feita recentemente, durante a 9 Reunião de Antropologia do Mercosul em Curitiba, pela arqueóloga do Museu Paranaense da Secretaria de Estado da Cultura, Cláudia Inês Parellada. Segundo ela, essa missão instalada no século 17 está relacionada a uma época em que houve uma tentativa de fixação de cidades espanholas e de missões jesuíticas no Estado, principalmente nas regiões do Centro e Oeste.

''Com o aprofundamento da pesquisa arqueológica na região, poderemos detectar algumas estruturas e até vestígios da malha urbana relacionada a essa missão. Com as dimensões do sítio, o tipo de evidência encontrada e a documentação textual, podemos ter certeza da localização das ruínas de San Joseph'', afirma a arqueóloga.

Os fragmentos, principalmente de cerâmica, chamam atenção pela forma de concepção, decoração e dimensões e foram localizados em uma escavação a cerca de 50 metros de profundidade e também na superfície da terra, onde hoje existe uma plantação de milho.

Os materiais foram coletados e analisados por uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e arqueólogos do Museu Parananese. ''Essa descoberta é um fato muito importante porque, das 15 missões jesuíticas, somente duas haviam sido efetivamente localizadas. Isso significa que a história do Paraná será melhor conhecida e essa memória preservada e mostrada a público, já que existe uma vontade política do município em proteger essa área'', revela a arqueóloga.

O próximo passo é preservar o local e reunir uma amostragem do material que já foi analisado e fazer a exposição. De acordo com Cláudia, ''a intenção é evidenciar algumas partes de estruturas e disponibilizá-las para o público verificar in loco''. A arqueóloga irá ao município no início de agosto para orientar e coordenar os trabalhos técnicos no local.

Micaela Orikasa
Reportagem local
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