Política
29/08/2012 -- 07h50

Suposta fraude na compra de uniformes leva três à prisão

Ex-secretário Fábio Reali foi afastado do cargo de servidor; Gaeco tem dez dias para concluir inquérito

César Augusto
Um dos presos, Pedro Victor Bresciani, é contador de empresas envolvidas no suposto esquema
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre suposta fraude na compra dos uniformes escolares pela Prefeitura de Londrina resultaram ontem na prisão de três pessoas e no afastamento do servidor municipal Fábio Reali, ex-secretário de Gestão Pública de Barbosa Neto (PDT). Reali teve o mandado de prisão negado pelo juiz da 3 Vara Criminal, Katsujo Nakadomari. Foram detidos em Londrina Marcos Divino Ramos, proprietário da empresa G8 Comércio de Equipamentos, de São Caetano do Sul (SP), e José Lemes dos Santos, representante da G8 e da Iridium Confecções de Apucarana. Em Apucarana, foi preso Pedro Victor Bresciani, contador das empresas.

Também foi decretada a prisão do dono da Kriswill Comércio de Confecções e Bolsas, Wilson Makoto Yoshida, porém, ele estava viajando. Foram cumpridos, ainda, 17 mandados de busca e apreensão em Londrina, Apucarana, Itajaí (SC), Matão (SP) e São Caetano do Sul (SP). Com as prisões preventivas, o Gaeco tem dez dias para concluir o inquérito.

São apurados os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva e fraude em licitação. Segundo o promotor de Justiça Cláudio Esteves, ''empresas pertencentes ao mesmo grupo teriam apresentado propostas à Prefeitura de Londrina, simulando uma aparente disputa na licitação''. Com base em depoimentos, relatório da Controladoria Geral do Município e escutas telefônicas, o Gaeco também pediu as prisões de Cristina Inumaru Yoshida (Kriswill) e Claudiane Mandelli (Iridium), mas as prisões foram negadas.

O suposto esquema teve início em 2010 quando o município dispensou licitação e aderiu à ata de registro de preços da Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), para a compra ''por carona'' de uniformes escolares, no valor de R$ 8 milhões, fornecidos pela G8 e Capricórnio. O procedimento resultou em ação por improbidade administrativa contra os ex-secretarios Karin Sabec (Educação), Marco Cito (Gestão Pública) e Fidélis Canguçu (Procuradoria). Um ano depois a prefeitura abriu licitação de R$ 11 milhões para a compra dos uniformes e a G8, investigada, venceu um dos lotes. O outro lote foi vencido pela Coliseu Ltda. Novo procedimento foi aberto pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e também pelo Gaeco, diante da participação no certame de empresas já denunciadas, como Kriswill, CDF, Iridium, Byd Ltda, Express e Somar BR.

Ao acatar os pedidos de prisão, Nakadomari escreveu que ''essas empresas participam em conjunto de licitações de todo o Brasil, com anuência de funcionários da administração pública para lograrem-se vencedoras de licitações''.

Os advogados de José Lemes e de Marcos Ramos preferiram não dar declarações, pois ainda teriam acesso ao procedimento. A reportagem não conseguiu contato com os demais investigados.

'Indicação'

Em depoimento ao Gaeco, Karin Sabec disse que a G8 chegou até a prefeitura municipal por meio do ex-ministro da Agricultura e deputado federal Reinhold Stephanes (PSD). A FOLHA teve acesso à transcrição do depoimento onde ela afirma que em conversa com José Lemes, este informou que ''a empresa G8 teria sido apresentada à Prefeitura de Londrina pela pessoa de Reinhold Stephanes, o qual pediu que Barbosa Neto recebesse tal empresa''.

O deputado negou. ''Não tenho a menor ideia do que essa secretária disse, nem sei da empresa G8'', disse à FOLHA. Ele disse que falou com o ex-prefeito uma vez. ''Eu estive com Barbosa logo que assumiu, numa reunião com empresários e lideranças, para discutir como ajudar Londrina.'' Contudo, Stephanes confirmou que conhece José Lemes, que é casado com a irmã da esposa do deputado. ''Temos uma relação protocolar. Sei que ele trabalha em Apucarana, mas nem sei o que ele faz.''

Fábio Reali

Afastado da função de técnico de gestão (cargo efetivo) por tempo indeterminado, o ex-secretário de Gestão Pública Fábio Reali negou conhecer os empresários presos e disse que não recebeu proposta para fraudar a licitação dos uniformes. ''Não é a Secretaria de Gestão que procura empresa para fazer o orçamento. É a secretaria que precisa do serviço e, neste caso, a Secretaria de Educação'', acusou. Reali alega que cumpriu todos os pareceres técnicos para assinatura do contrato.

Pela manhã, quando as prisões estavam em andamento, a ex-secretária foi questionada pela FOLHA sobre o caso dos uniformes, mas ela não quis dar entrevista. ''Não estou sabendo sobre nada disso. Não quero comentar.'' (colaborou Paula Barbosa Ocanha)

Edson Ferreira
Reportagem Local
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