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26/05/2012 -- 00h00

PR registra queda de 36% na mortalidade materna

Nos primeiros 9 meses do ano passado, 49 mulheres morreram por causa de complicações da gravidez ou no pós-parto; em 2010, foram 77 mortes

Curitiba - De janeiro a setembro de 2011, o Paraná registrou uma queda de 36% no número de mortes em decorrência de problemas na gravidez, no parto ou no pós-parto, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde (MS).

No ano passado, 49 mulheres morreram por causa de complicações da gravidez ou no pós-parto, enquanto em 2010 foram registradas 77 mortes. A redução foi mais acentuada do que a média nacional, que ficou em 21%. Em todo o País, nos nove primeiros meses de 2011, foram computadas 1.038. No ano anterior, os registros ficaram em 1.317.

De acordo com Sezifredo Paz, superintendente em Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), a ampliação das investigações dos casos de morte materna no Estado, cujo índice de identificação das causas chegou a 76% no ano passado, deve ter contribuído para a redução, principalmente porque, ''a partir disso, o governo estadual pôde direcionar as medidas preventivas''.

Aliado a isso, destaca Sezifredo, a expansão da cobertura da Atenção Primária a Saúde (APS) nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) desde o início do ano passado influenciou no resultado. ''É uma queda significativa e representa números positivos. Entretanto vamos aguardar até o final do ano para fazer uma análise mais ampliada da situação no Estado. Queremos reduzir ainda mais a quantidade de casos e estamos trabalhando para isso'', reforçou.

A Sesa faz um gerenciamento das investigações de mortes de mulheres em idade fértil (entre 10 e 49 anos). O objetivo é avaliar as causas e as circunstâncias da morte e verificar se os casos foram provocados por complicações gestacionais.

Outra ação considerada estratégica para reduzir os números da mortalidade materna no Estado foi o lançamento da Rede Mãe Paranaense, ocorrido no início do mês. O programa propõe a organização da atenção materno-infantil em todas as regiões do Paraná e se constitui num conjunto de ações como a captação precoce da gestante, o acompanhamento pré-natal com no mínimo sete consultas, a realização de 17 exames, a classificação de risco das gestante e crianças, entre outras medidas.

Segundo a Sesa, para 2012, estão previstos mais de R$ 90 milhões para a total implantação da Rede Mãe Paranaense. ''A rede será mais um passo para conseguir reduzirmos ainda mais estes índices. São ações estruturadas de acompanhamento desde o pré-natal, passando pelo parto, até a criança completar 1 ano de iadade'', destacou Sezifredo.

Para o MS, a queda registrada ocorreu em grande parte à implantação do programa Rede Cegonha, lançado em março do ano passado. A iniciativa, segundo o órgão, já atende 36% das mulheres atendidas pelo SUS. No total foram investidos R$ 2,5 bilhões para qualificar a assistência à mulher e ao bebê. Em 2011, segundo o MS, 1,7 milhão de mulheres de todo o Brasil, fizeram no mínimo sete consultas pré-natais.

Entre 1990 e 2010, também segundo o MS, o País passou de 141 para 68 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. Também durante o período, houve redução em todas as causas diretas de mortalidade materna: hipertensão arterial (66,1%), hemorragia (69,2%), infecções pós-parto (60,3%), aborto (81,9%), e doenças do aparelho circulatório complicadas pela gravidez, pelo parto ou pelo pós-parto (42,7%).



Rubens Chueire Jr.
Equipe da Folha
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