Economia
04/05/2012 -- 00h00

'Mudança na remuneração da poupança é mínima'

Governo anunciaria ainda ontem que aplicação seria remunerada pela TR mais 70% da Selic, quando a taxa baixar de 8,5%

Saldo atual das 100 milhões de cadernetas de poupança ativas é de R$ 431 bilhões
Brasília - O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem no Palácio do Planalto que a mudança na remuneração da poupança seria ''mínima''. ''A mudança é mínima, e não afeta os interesses e benefícios dos correntistas da caderneta de poupança'', garantiu.

O governo informou que a poupança será remunerada pela Taxa Referencial (TR) mais 70% da Selic nos casos em que a taxa estiver abaixo de 8,5% ao ano. Hoje, a taxa está em 9% ao ano. A mudança valerá a partir de hoje e ocorrerá através de medida provisória.

No caso dos depósitos feitos até a entrada em vigor da nova regra, não haverá mudanças na fórmula de remuneração, destacou Mantega. A remuneração, nesses casos, é de 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais TR. O cálculo da Taxa Referencial não será alterado.

''Para todos aquelas cadernetas com depósitos até o dia de hoje (ontem), as regras ficam exatamente como estão, remuneração é a mesma e os benefícios que poupança traz são exatamente os mesmos. Não haverá nenhum prejuízo para os atuais detentores'', disse. O saldo atual das 100 milhões de cadernetas de poupança ativas é de R$ 431 milhões, segundo o ministro.

De acordo com ele, os 70% da Selic foram estabelecidos pois essa foi a maior remuneração já paga pela poupança, em 2010, segundo levantamento feito pelo governo. ''Por isso usamos esse critério para estabelecer a remuneração'', declarou.

Ele explicou que a medida foi tomada para garantir o barateamento do crédito. ''Teríamos uma invasão da poupança por grandes investidores em títulos do Tesouro (se a poupança se tornasse mais atrativa que investimentos em títulos públicos, lastreados na Selic). Seria uma pressão para que a Selic suba e não desça'', disse.

Desgaste

Mantega afirmou que não acredita que a mudança na remuneração da caderneta de poupança trará desgaste político ao governo. ''Não é a política que nos pauta, mas não acredito em desgaste político. Fizemos reunião com líderes da base aliada, sindicalistas e empresários, e não houve nenhuma voz distante em relação a isso, mesmo este sendo um ano eleitoral'', declarou.

Bancos

Mantega disse ainda que a mudança fará com que os bancos reduzam suas taxas de remuneração de fundos de investimentos. ''Eles (bancos) cobram taxas de 4%, 3%, 2% ao ano, o que retira parte da rentabilidade dos fundos de investimento. Com essa concorrência da poupança, as instituições financeiras serão levadas a reduzirem suas taxas de administração'', declarou o ministro.



Maeli Prado

Folhapress
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